Software livre: Liberdade engajada
Não sou das pessoas mais computadorizadas, apesar de ter nascido em uma época em que o computador já coexistia com as pipas que fazia de taletas e papel de seda. Todavia, tanto minha trajetória escolar, como meu trabalho como educador, me levaram a entrar em contato com essa ferramenta física, que comporta em sí um universo intangente e subjetivo tão vasto, que guarda em cada tecla a possibilidade de viagens por terras jamais exploras.
Como cresci em uma família de classe média, não sofri com a exclusão digital que grande parcela da população mundial sofre ainda nos dias de hoje. Há um tempo, quando em meu trabalho me deparei com o Linux, e ouvi a defesa do sistema operacional feita por um amigo, me veio à tona uma reflexão que fez muito sentido, no que diz respeito às aspirações que cultivo como educador. Desde então me identifiquei com os softwares livres, como algo que busca outra forma de relação com a humanidade.
Todavia, como já disse antes, ainda engatinho nos domínios computadorizados e esse pequeno lampejo que me acometeu, adormeceu no país de meus ideais e como uma bela adormecida, foi acordada hoje pela minha professora de Tecnologia aplicada à educação.
Hoje, ao entrar em minha turma vi escrito 4 vezes no quadro uma palavra que mexe tanto com minha atenção e meus desejos, liberdade.
Ela falava com certo brilho nos olhos, das liberdades que esse movimento anárquico caórdigo, proporciona à nossa sociedade.
Liberdade de executar
Liberdade de estudar o programa e saber como funciona
Liberdade de redistribuir
Liberdade de aperfeiçoar
Senti que nós cidadãos(ãs), educadores(as) e lideres temos muito o que aprender com esse movimento, pois como seria bom que em todas as facetas da experiência humana, pudéssemos viver a liberdade de experimentar (executar), conhecer a fundo (estudar como funciona), compartilhar com nossos conviveres (redistribuir) e resignificar a experiência contribuindo com nossa individualidade (aperfeiçoar).
Talvez se elevássemos esses princípios para os que regem nossas relações globais, romperíamos com esse sistema viciado de monopólio econômico, do conhecimento e da técnica, que impulsiona fortemente as desigualdades sociais.
No que diz respeito ao processo educativos, para além da ferramenta pedagógica, os softwares livres carregam em sí a partilha do brinquedo, a possibilidade da invenção, da recriação, uma experiencia ética.
Software livre não é apenas um tipo de programa, mas uma postura rumo à solidariedade, autonomia e co-responsabilidade.
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